I Parte
Quando conheci Maria Heloísa, foi no dia do casamento do meu amigo. eu estava sentado na fileira do lado direito da igreja e ela na fileira do lado esquerdo, no mesmo momento que o meu olhar se dirigiu ao dela, ela também me olhou, foi impressionante aquele momento para mim, os nossos olhares se cruzaram e foi como raios que brilhavam no céu. Aí então me voltei novamente para cerimônia, quando dei por conta terminou o casamento, aí vieram os cumprimentos aos noivos, todo mundo saiu da pequena igreja de Santa Cecília, e a bela moça havia sumido. Mais daí em diante passei a ir frequentemente à missa naquela igrejinha. E nada de reencontrar a moça que muito me encantou, eu jamais poderia deixar a minha busca, pois sonhava com aquele rosto angelical todas as noites, não poderia esquecê-la jamais. Confesso já estava quase disitindo do meu objetivo, no terceiro domingo corrigi os olhos no povo de dentro da igreja lá estava ela, linda! vestindo um vestido azul celeste e um véu branco que cobria-lhe o rosto, parecia uma santa ou um anjo, nem prestei atenção no que o padre falava, não poderia me discuidar e deixá-la sumir novamente e quem sabe se ainda voltaria? mal esperei a missa terminar, fui até ela e vi que a sua ama a acompanhava, pensei:
- Como encontrarei uma maneira de me aproximar da minha amada? Não pensem que era cedo para chamar-lhe de "minha amada" por que eu já a amava loucamente. Abordei-lhe então na saída da igreja, mas eu ainda não tinha como começar uma conversa, muito nervoso, naquelas alturas eu tinha 20 anos de idade, nunca fui namorador, sempre quis um amor duradouro, então como assunto não vinha, apenas falei:
-Senhorita! Ela respodeu-me:
-Sim, Senhor, o que desejas?
Bom, se eu fosse falar dos meus desejos naquela hora....
Mas então inventei qualquer coisa, perguntei-lhe:
-A senhorita vem sempre a missa nessa igreja?
-Sim, sempre nos terceiros domingos do mês. Porque Senhor?
-Bom, senhorita é porque também venho sempre aqui mas nunca a tinha visto, acho que é porque temos vindo em dias diferentes.
-Deve ser senhor.
A ama já tava com cara feia com aqueles olhos redondos me olhando repressivamente e dizendo:
-A nhazinha bem sabe que nun pode falar cum u zome seu pai nun gosta minina vamo embora, vamo!
-sim vamos Sebá.
Fiquei estático alí no mesmo lugar por uns cinco minutos olhando as duas moças sumirem no quarteirão da rua. Resumindo, só sei dizer que não falei com ela como gostaria. Voltando do transe visionário, tive uma brilhante idéia!Fui aos pés da Santinha e fiz uma promessa:
-Minha Santa Cecília, eu quero fazer-lhe um pedido e também fazer-lhe uma promessa, me ajude a conquistar essa moça dos meus sonhos que também é fiel da sua igreja, e eu prometo minha Santa que o nosso casamento será celebrado aqui na sua igrejinha, e tem mais se tivermos uma filha a batizaremos com o lindo nome de Cecília. E assim fiquei esperando ancioso pelo o milagre pedido. ficamos assíduos frequentadores da missa todos os domingos. As conversas meio sem jeito foram fluindo e deu pra perceber que ela também me queria. Pensei:
-Se ela não me quisesse não suportaria essa minha conversa sem graça, até eu já não sabia mais o que fazer para mudar aquele quadro. Mas agora já contando também com a ajuda divina, num desses domingos tomei coragem e a convidei para sentarmos no banco da praça que ficava logo na frente da igreja, para alí conversarmos, para surpresa minha, ela aceitou o convite, e a ama Sebá sempre com ela vigiando como um cão de guarda. Isso também me tirava a pouca coragem para falar-le, mas eu respirei fundo, tomei coragem e falei de uma vez:
-Bom, senhorita, a verdade é que já nos vimos tantas vezes até já trocamos algumas palavras e ainda não sei o seu nome, deve ser um nome lindo que no mínimo combina com a dona. Ah! vocês nem imaginam, a negra Sebá arregalou os olhos e disse:
-Mimina, ocê num vai dizê o seu nomi a um home discunhecido, num vai não! E foi puxando a moça pelo braço, então a moça soltou-se das mãos da ama e disse:
-Oras Sebá deixe de ser boba, porque me tomas? Não vejo nada demais em dizer o meu nome para o moço que com certeza também me dirá seu, e bem sabes que somos quase amigos. Ela apesar de ter enfrentado a força física da ama, também era um pouco tímida. Ela então me olhou com aqueles olhos esverdeados e responde:
-Me chamo Maria Heloísa Morais de Sá sou filha de Gaudêncio Morais de Sá e de Maria Antonieta Morais de Sá. E o senhor como se chama? Me causou espanto por se tratar de uma família ilustre da sociedade fluminense. E eu também não era tão pobre mas mesmo assim me deu uma certa insegurança.
-Senhorita, por favor perdoe-me pela a indiscrição de insistir em querer saber o seu nome, mas acho que valeu a pena! é realmente lindo nome, bem, eu me chamo Waldemar de Carvalho,
A minha mãe se chama Dona Idalina Proença de Carvalho viúva do Senhor Emanoel Proença de Carvalho, não tenho irmãos, saiba que é um grande prazer conhecê-la senhorita Heloisa.
-Imagina! senhor o prazer também é meu.Feita as apresentações, a negra Sebá a segurou novamente pelo o braço da moça e saiu resmungando:
-Vô dizê tudo pro nhô seu pai, onde já se viu? Ai minina si o seu pai subé........Ocê que qui nois duas pegue uma pisa?
-Oras Sebá, ele só saberá se você falar, afinal tem alguém mais aqui conosco? então ele só saberá se você falar e por acaso você quer apanhar?
-Eu? craro qui não sinhazinha!
Então feche essa boca!
-Tá bom oxe!!!
Os dias se passaram e nós sempre frequentando as missas de domingo, e eu fui me aproximando cada vez mais de Heloísa, eu notava que aquele interesse, não era apenas religioso ela também sentia amor por mim, então comecei a agradar a ama dela, a negra Sebá, todos os domingos já trazia uma moeda e lhe dava. Nossa! Como se alegrava com o meu agrado.
A primeira vez que lhe dei uma moeda, foi indescritível a expressão do rosto dela, ela arregalou os olhos redondos e me olhou dizendo:
-Sinhô, é pra mim, sinhô?
-Sim, é pra você, vai comprar qualquer coisa!
-Mas, que coisa sinhô? Nunca cumprei nada!
-Então vá e compre para aprender.
-Sei não sinhô, nun sei o qui cumprar.
-Compra algo para comer, alí tem vendinhas de guloseimas bolos, canjica, pé-de-moleque etc... veja lá! Vá e pode demorar viu?
-Tá bom eu vou!
E foi, quando penso que ela está lá na venda, vejo ela chegando de volta, perguntei-lhe:
-O que foi Sebá? Porquer voltou?
-Isquici di dizê num é purquê o sinhô me deu uma moeda qui eu vô dechá de oiá ocês viu? Ruuuumm!!! E saiu foi comprar lá os doces dela. Mas como eu já dizia aí daí em diante, as coisas melhoraram para nós.
par
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